Há exatamente dois dias, Cristiano Ronaldo abandonava a concentração da Seleção prometendo "revelar a verdade". Ontem, Portugal respondeu da única forma que realmente cala polémicas no futebol: a jogar. Um triunfo por 4-2 em Copenhaga, o terceiro em três jogos desta fase da Liga das Nações, sem o capitão histórico em campo.
Não se trata de fazer deste resultado um veredicto definitivo sobre quem tinha razão na polémica - essa discussão vai continuar a arrastar-se nos estúdios de televisão durante dias. Mas há um facto que o resultado torna inegável: a narrativa de que a Seleção "precisa" de Ronaldo para vencer jogos relevantes sofreu, esta semana, um golpe difícil de ignorar.
Isto não diminui o que Ronaldo representa para o futebol português - décadas de serviço, recordes que provavelmente nunca serão batidos, momentos que vão ficar na história do desporto nacional. Mas o papel de um treinador, sobretudo um que chegou prometendo construir algo novo, é precisamente demonstrar que a equipa tem vida própria, independentemente de uma única individualidade, por mais lendária que seja.
O verdadeiro teste para Jorge Jesus não foi vencer este jogo - foi vencê-lo exatamente nesta semana, no meio da tempestade mediática, sem se deixar afetar pela ausência do seu jogador mais mediático. Se há uma "verdade" para contar sobre esta nova era da Seleção, o resultado de ontem já disse a parte mais importante dela.